domingo, 30 de dezembro de 2012

Stairway to Hell

The Stairway...






















Fria, fria manhã 
Cozinha em meus ouvidos o barulho pungente da chuva,

Eu sinto meus olhos molhados
Por eternidades de não-vivi;
Há um grito desesperado,
Exasperado dentro de mim.
Não me venda teus clichês,
Me livre dos meus!
Me mostre onde estás, Deus!

Visualizo teu anjo rebelde descendo os degraus...
O que há de mal na revolução
Se tenho revolta, se tenho dúvida?
Me exile do teu tirano reino, então!
Não espere que eu plante sândalos no teu bosque,
Se há perfume, me mostre,
Se a Verdade é só tua...

Eu vi nas ruas

O caráter do teu perdão,
E o anjo da noite me busca
E me ensina sobre a rebeldia,
E o anjo me faz cantar e dançar
E me dá asas de chumbo na luz matinal,
Me faz ver a luz do crepúsculo no mar de sal...

Há uma voz desesperada

Esperando a tal salvação,
Esperando o contraditório perdão
Que me levanta e me esmaga.
Vamos dar gargalhadas
Entre dentes que mordem a dor,
Pois a dor corta a alegria ao meio e abre os olhos,
Mostrando que não há como ultrapassar a vida.
Não, não há saída!

O anjo sussurra coisas ininteligíveis

E eu quero comprar minha passagem,
Eu quero deixar o contentamento para os covardes
Que lutam cegos e não se importam.
Pois há olhos luminosos que me intrigam,
Que me assustam e me convocam
Com a voz sobrenatural penetrante;
Num ímpeto de sabedoria intuitiva
Eu vou e desço os degraus, porque sei
Que são eles que sabem quem sou e aceitam.
Só o peso de saber me dá asas e me impede de voar.




sábado, 15 de dezembro de 2012

Destinos do Acaso



Baby, feche os livros hoje, e vem escrever comigo nossa própria história.
Nunca estaremos seguras, mas estaremos livres...
Esse peso em meu peito desaparece de vez em quando,
De vez em quando estamos juntas e, pra mim, é o bastante
Para recolorir um sonho antigo que ficou tão desbotado
no passado.
Vem em mim uma melancolia serena
Por saber que estou feliz e que esse agora não é eterno.
Eu quero ser eterna, pelo menos hoje
E te ter pra sempre, pelo menos hoje...
Carpe diem, diz o poeta;
Carpe diem, diz o meu corpo.
Mesmo que o mundo racional me diga para não ter expectativas,
A quem consola a ideia desse amargo remédio?!
Mesmo que a realidade seja implacável,
Você salva minha vida quando sorri e me abraça...
Viver é mais que existir.
Quero ousar dizer o nome do amor inominável,
Eu quero ser nós,
Eu quero arriscar  dar todos os saltos,
Eu quero sentir.
Porque viver é mais que pensar... É mais que existir.


sábado, 3 de novembro de 2012

Dance, animal!

É tão babaca se achar o ápice da sabedoria, 
sendo apenas nada além de
mais uma colcha de retalhos de ideias incertas...




♪♪♪♪♪

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Unissex Revolution


"Você encontra um garoto
E encontra uma garota
E eles são iguais
E eles se amam assim
Andróginos"



domingo, 12 de agosto de 2012

Melancolia

O que você faria se não houvesse pudor,

Se não houvesse poder contra os nossos impulsos,

E o sofrimento que tua força é capaz de causar

Fosse permitido em qualquer lugar?

O céu agora é todo branco

E desaba seu desamparo sobre o meu,

Eu com meu casaco cor de vinho

Afugento o frio do meu sangue escarlate.

Ideias sombrias passam pelo clarão fosforescente

De meus olhos negros, de minha alma negra...

Eu não sei mesmo o que é felicidade

E se ela é mesmo melhor que esse vazio

Que me faz caminhar desatenta

No meio de uma tempestade.

No mais, acho que deve ser tarde

Para mudar o rumo em que sigo.

Não há nenhum perigo

Em viver como eu vivo;

Eu já estou cansada de tudo,

Mas sinto um aconchego intenso

Na forma rude que vejo o mundo.

Porque essas visões são minhas,

Meus segredos, meus silêncios são todos meus!

Não há poder ou pudor que me impeça

De usar minha liberdade ao meu modo,

De ir no meio de uma tempestade.

O céu agora é todo branco

E desaba seu desamparo sobre o meu sangue escarlate.

No mais, acho que deve ser tarde...








segunda-feira, 30 de julho de 2012

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Inteligência

"Há concordância de que grandes momentos de progresso científico e 
tecnológico estão associados ao esforço de guerra. E quem são os 
estrategistas militares, os especialistas em criptografia responsáveis 
pela inteligência. os criadores de bombas e de bombardeiros? São os 
nossos ex-alunos em modelagem, em teoria dos jogos e probabilidades, 
em teorias dos números e em lógica, em física matemática. Em essência, 
são indivíduos que de nós aprenderam Ciências e Matemática, mas ao 
que parece, de nós não aprenderam nada de ética, de moral, de humanidade 
e de fraternidade" (D' AMBROSIO, 1994, p.12).


Na Estrada - Novas e Melhoradas Versões da Mesma Angústia

A verdade é chocante e desconfortável, mas a verdade liberta. As mentiras acabam comendo a alma de quem vive delas.
Tudo no mundo cheira a obsolescência programada. Aproveite o seu tempo para ser autêntico, para viver e não encenar, esteja só ou acompanhado (bem ou mal), seja triste ou alegre. Mas seja autêntico.
A vida é essa verdade caótica e sem final feliz, sem divisão perfeita entre certo e errado. A vida é essa verdade caótica da insatisfação, da injustiça, da velhice.

A sociedade sacrifica o nosso espírito, a nossa essência, que é considerada uma realidade insignificante perante o planejado pelo convencional. O nosso espírito é tolerado com desconforto, quando não é reprimido... E o que sobra para quem realmente quer ser indivíduo e caminhar com os próprios pés?
Somos todos laranjas mecânicas...

Minha geração é tão revolucionária! Nunca houve tantos jovens que não acreditam em porra nenhuma! Mas, como escreveu Lispector, "falar do que realmente importa é considerado uma gafe", ainda.



domingo, 22 de julho de 2012

O Azul e o Tempo




"... E quando vejo o mar, existe algo que diz que a vida continua, e se entregar é uma bobagem..."


(Renato Russo)

quarta-feira, 18 de julho de 2012

15 Minutos de Lampejos

Sou eu e as palavras,
Eu sou este silêncio...
Eu sei que eu sei o que eu quero!
No fundo eu não presto,
Mas finjo muito bem...
Eu sei exatamente o que eu quero:
Quero a alforria
E a liberdade sem limites,
Uma vida sem precedentes...
Enquanto todos estudam às regras
E eu adapto minha vida a esse lixo,
Escrevendo poesias, proezas,
Essas palavras
E esses silêncios
Que me desamarram e me escravizam.




quarta-feira, 11 de julho de 2012

Holden Caulfield

"De vez em quando a gente cansa de andar de táxi, da mesma maneira que se cansa de andar de elevador. De repente, a gente sente que tem que ir a pé, qualquer que seja a distância ou altura."

"Não é nada engraçado ser covarde. Talvez eu não o seja totalmente. Sei lá, acho que talvez eu seja apenas em parte covarde, e em parte o tipo de sujeito que está pouco ligando se perder as luvas. Um de meus problemas é que nunca me importo muito quando perco alguma coisa (...). Eu acho que nunca tive nada que me importaria muito de perder. Talvez por isso eu seja em parte covarde."

"O homem que cai não consegue nem mesmo ouvir ou sentir o baque do seu corpo no fundo. Apenas cai e cai. A coisa toda se aplica aos homens que, num momento ou outro de suas vidas, procuram algo que seu próprio meio não lhes podia proporcionar. Ou que pensavam que não podia. Por isso, abandonam a busca. Abandonam a busca antes mesmo de começá-la de verdade."


"As pessoas sempre batem palmas pelas coisas erradas."

-- O Apanhador no Campo de Centeio, J.D. Salinger.




quarta-feira, 4 de julho de 2012

Luz Paranóica

Quem explica a chuva da fúria dos olhos?
Quem entende o impulso dos lábios nos lábios?
Onde há lugar na Natureza para a natureza humana?
Quem sabe a razão das ânsias carnais?
Estou tão triste, mas não estou chorando...
Te quero muito, mas não estou te amando...


Eu não sei nada da vida,
Eu não sei como me comportar,
Mas eu também necessito de alma,
Preciso de calor humano!
Pensei te amar, mas só estou te usando...
Quero te matar, mas só estou pensando.


De onde é que saiu tanto orgulho?
Quem pode deter o perfeito defeito humano?
Quero destruir tudo, mas só estou dançando...
Quero te matar, mas só estou te olhando.


Nenhum de nós presta!
E o que nos resta 
É se acabar no fim da festa.


Me acostumei a ignorar a dor do corpo,
Me afoguei dentro de mais um copo
Junto dos outros loucos noturnos sem porto,
E hoje o que vier eu topo.






segunda-feira, 2 de julho de 2012

Lave Minha Alma

Seja minha cura, seja minha salvação, agora que estou contaminado
Por todo o pecado de ser uma pessoa...
Derreta o gelo que se formou em mim,
Transforme minha capacidade de negar em capacidade de sentir,
Pois estou cansado, meu grande amor, de não saber amar...




Os Sonhadores

Eles sonham profundamente com uma vida mais leve,
Enquanto o peso da realidade os aguarda do lado de fora...



quinta-feira, 21 de junho de 2012

Às Nossas Ofensas

Mas olhe para todos ao seu redor e veja o que temos feito de nós e a isso considerado vitória nossa de cada dia. Não temos amado, acima de todas as coisas. Não temos aceito o que não se entende porque não queremos passar por tolos. Temos amontoado coisas e seguranças por não nos termos um ao outro. Não temos nenhuma alegria que já não tenha sido catalogada. [...] Não nos temos entregue a nós mesmos, pois isso seria o começo de uma vida larga e nós a tememos. Temos evitado cair de joelhos diante do primeiro de nós que por amor diga: tens medo. Temos organizado associações e clubes sorridentes onde se serve com ou sem soda. Temos procurado nos salvar mas sem usar a palavra salvação para não nos envergonharmos de ser inocentes. Não temos usado a palavra amor para não termos de reconhecer sua contextura de ódio, de amor, de ciúme e de tantos outros cotraditórios. Temos mantido em segredo a nossa morte para tornar nossa vida possível. Muitos de nós fazem arte por não saber como é a outra coisa. Temos disfarçado com falso amor a nossa indiferença, sabendo que nossa indiferença é angústia disfarçada. Temos disfarçado com o pequeno medo o grande medo maior e por isso nunca falamos no que realmente importa. Falar no que realmente importa é considerado uma gafe. [...] Não temos sido puros e ingênuos para não rirmos de nós mesmos e para que no fim do dia possamos dizer "pelo menos não fui tolo" e assim não ficarmos perplexos antes de apagar a luz. Temos sorrido em público do que não sorriríamos quando ficássemos sozinhos. Temos chamado de fraqueza a nossa candura. Temo-nos temido um ao outro, acima de tudo. E a tudo isso consideramos a vitória nossa de cada dia.

-- Clarice Lispector, no livro Uma Aprendizagem.


sábado, 16 de junho de 2012

Apenas Um Relato Sobre Empatia


Sua pele branca contrasta com os cabelos muito negros. 
Ele os deixa displincentemente desgrenhados, caídos sobre os olhos igualmente escuros, formando ondas que vão até o pescoço... Isso para emoldurar seu rosto de anjo mau, rosto de inocente malícia que parece estar sempre escondendo algum mistério, ou tentando dar o bote, como os gatos cujo olhar parece medo, mas no fundo é uma defesa de esfinge: "decifra-me ou devoro-te!"


Insinuação felina na preguiça elegante, no andar lento, no corpo flexível... Doce e sombrio...
É difícil entender seu estilo temperamental, que chega a ser destrutivo; sua alma agridoce...


Olho para aqueles olhos, e são como buracos negros que vão me sugar... Tudo que vejo é um convite irresistível do abismo... 


Quando ele fala daquela forma desconcertada e desconcertante, como quem não sabe onde quer chegar, com uma voz rouca e arrastada falando baixinho... Então sei que se trata apenas de beleza.


No entanto, sua força de atração esconde algo a mais... Porque a atração é sobrenatural.


Ele é um rebelde, porém não daqueles que gritam, que escadalizam como se este mundo lhes pertencesse. Sua rebeldia é silenciosa. Ele apenas tem o controle da própria mente, como poucos, ele é livre e realmente não teme o preço que vai pagar.
Ele não quer definir as regras, quer eliminá-las. Sabe viver o agora sem pressa, mas sem hesitação.


Não sei como sua mente funciona. Certamente é um desafinado no coro dos hipócritas, e nunca estará entre a maioria. Acredita que, de uma forma mórbida, sua missão é experimentar todas as dores do mundo.


No fundo, é como um animal que precisa de dono. Se você tiver um pouco de alimento, ele come em tua mão. Depois ele vai embora, como um gato, não adianta tentar prendê-lo. Ele só será teu enquanto quiser e precisar.





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quinta-feira, 14 de junho de 2012

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Caçando Pipas

"Foi a muito tempo, mas descobri que não é verdade o que dizem a respeito do passado, essa história de que podemos enterrá-lo. Porque, de um jeito ou de outro, 
ele sempre consegue escapar."


"..., fiquei imaginando se era assim que brotava o perdão, não com as fanfarras da epifania, mas com a dor juntando as suas coisas, fazendo as suas trouxas e indo embora, sorrateira, no meio da noite."



-- Frases de "O Caçador de Pipas", de Khaled Hosseini.



Compensações

O dia foi bom,
Mesmo que eu tenha chorado à noite?
A vida é boa,
Mesmo que não possa ser melhor...
Aquele momento que era pra me esquentar,
Agora me faz sentir frio;
O que era pra preencher o meu vazio,
Me torna ainda mais vazia.
Não somos iluminados, não sabemos pra onde vamos...
Mas, eu sei, ela tem um segredo...
Mas, eu sinto, ela sente mais que os outros...
A menina dos olhos assustadores,
A menina que incendiava o caminho,
A menina que não era eu,
Mas que era parte do que eu sabia...
Não era iluminada e não sabia para onde ia,
Mas, como cães sem dono, nos acompanhávamos...
A vida é boa,
Mesmo sendo tão frustrante,
Já que as ideias são sempre mais bonitas que o real...
Mas não faz mal!
Pois, mesmo que eu tenha chorado à noite,
O dia foi bom.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Pierrot


Uma lágrima cai, meu amor, 
Dos olhos de contas, da cara pintada.
Uma lágrima cai, meu Pierrot,
Dos olhos de contos de fadas.
Vejo que a tragédia acabou
E que você poderia aplaudir,
Mas um artista sincero vai além
Dessa encenação de sorrir.
Uma lágrima cai, palhacinho do amor,
E não a esconde, pois chorar é lindo!
Personagem inocente, triste/alegre Pierrot,
Posso ouvir teu coração frágil partindo...
E ainda assim quero saber, como você, amar
Sem impor a reciprocidade,
Pois é na coragem de se desarmar
Que está o prazer de sentir de verdade.





quarta-feira, 30 de maio de 2012

Duplo

Tinta nos cabelos,
Batom vermelho,
Retoca a máscara ou a coragem no espelho.
Sorriso safado,
No olhar uma certeza,
As esquinas à noite são sua igreja.
Fúria real,
Vestido curto,
De um dia pro outro você teve um surto!
Cigarro na boca,
Gesto vulgar,
Com a censura alheia não vai mais se importar...
Das calças sociais
Às saias de puta,
Enfrenta e sobrevive numa cidade bruta.
Mudou de postura
E de companhias...
E como serão os seus próximos dias?




Maio







Vontade de tomar um banho gelado, e entrar de cabeça, pra expulsar os demônios junto com toda a sujeira... Vontade de escovar os dentes até limpar minha boca de todas as mentiras que a sociedade me obriga a dizer... Eu não sou o meu nome, eu não sou um número!
Está tarde e está frio, mas não se trata apenas do tempo, é algum calor que eu perdi, que todos perdem, eu disse TODOS, depois dos seus 20 anos... Está tarde, e eu não tenho vontade de acordar cedo...
Bebo um copo de água, para ver se o gosto ruim sai de minha garganta, mas esse desgosto está em tudo que eu como, em tudo que eu consumo, em tudo que eu engulo... Eu tenho sono, estou exausta, mas não consigo dormir... Aposto que se você é adulto, também sabe o que é isso.
Pego a caneta e escrevo como se eu  nunca fosse acabar, como se essas palavras pudessem ser um vômito... Cada palavra é uma tempestade que se anuncia. Eu sou mais um sem paciência, mais um desconfiado, mais um que é meio arrogante, que não consegue deixar de achar que é ou de querer ser especial. E como se fosse um dilúvio, esse mês sempre atravessa carregado; estamos trancados no meio do ano, vendo as promessas do início quebrarem...
Estou viajando, estou sempre viajando... O problema é velho e você também conhece: estamos sempre querendo coisas demais! Hoje eu quero coragem, alegria, determinação, amor... Estou querendo até que desabe uma guerra! Algo que exploda, que arrebate! Mas o que é novidade nisso que eu falei?
Ando querendo coisas demais, ando viajando demais, e não tenho vontade de acordar tão cedo. No mais, o sofrimento é a melhor matéria prima. E a solidão não é tão solidão, quando percebemos que, de certa forma, dividimos ela com todo o mundo.




quarta-feira, 23 de maio de 2012

Sem Direção


Meu cão me olha como se entendesse,
Você aconselha como se fosse deus.
Você fala como se na vida não se pudesse ter tudo.


Mas sabe? Um dia eu vou a San Francisco
E pisar onde pisou a Janis,
Like a rolling stone...
Um dia eu vou perder o medo
Eu vou achar as rédeas da liberdade,
Como num show de rock...
Preciso gritar!
É você que diz ter forças...


Oh não, 
Eu não poderia escrever um livro,
Eu não saberia concluí-lo jamais!
On the road,
Pés descalsos,
Cansada
E com toda fome do mundo.


Será que só me sobrará a música? E os meus gritos, é claro...
Quando eu estiver só, e ainda tiver coragem de gritar...
Ouço outros gritos, ouço falar de vitórias, 
Torço por derrotados, tenho a filosofia de vida dos amorais,
Me sinto inútil como um papel riscado, amassado,
Na lata de lixo.
Não poderia ser mais triste?
Poderia...


Mas sabe? Eu me sinto livre,
Como uma folha que cai, como uma pedra que rola...


quinta-feira, 17 de maio de 2012

Depravados

Corrompa-me!
Engula-me logo de uma vez...
Faça aquilo que pode levar-me ao céu e ao inferno...

Sugando meu sangue com os lábios,
Arranhando meu juízo com as unhas,
Assinando em meu corpo com a língua...

Depois disso, vá embora tranquilo,
Me deixando uma marca tatuada
E a alma para sempre corrompida.






Embriagada




Cigarros, suspiros, almas,
A alma dos becos,
A febre sem cura,
Ela tem que se render!
Suspiros, cafés bizarros,
Isqueiros no meio do palco,
Isqueiros no meio da vida
Incendiando a cidade.
Único fogo no frio e na chuva,
Única gota de mel e orvalho.
Sentimos fome e satisfação,
Setimos frio e fogo,
Vontade de tomar uma bebida quente
E de deixar o mundo vazar
Sem nem pensar em segurar as pontas.
Vivendo com a alma dos becos,
Rock, carros, chuva rala,
Suspiros, deliros, jaquetas, armas...
Vai no bar dos ladrões e é um deles,
Seus truques, vícios e confusões também são dela,
Sob os rastros secretos da lua,
Andando nas ruas
Realiza seu sonho de ser um cara embriagado,
Emancipado pelo pecado
No beco dos santos ladrões.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Burgueses

Há uma margem estranha no rio dos meus pensamentos,
Algo melódico, melancólico, bucólico pressentimento...
Borboletas cinzas de ferro nos ônibus;
Borboletas leves, levianas, amarelas no ar;
Ar condicionado nos prédios;
Ar sem mais condições cá fora.
Amanhã, o passado será este agora, 
Qualquer borboleta supõe a passagem como um fato, 
De concreto só sei do que é abstrato.
Admiro quando miro aquele corpo bem desenhado
E se desejar fosse um pecado,
Este calor seria o inferno,
Mas castigo algum pode ser eterno.
Por tudo, serei uma boa menina,
Irei desarmar meu coração
E entregá-lo aos pedaços nas mãos
D'um estúpido burguês,
Merecendo assim, talvez,
O amor pungente dos loucos poetas
Ao vislumbre do pôr-do-sol  na praia fria,
Tão rico e dourado quanto os "anos de ouro",
Tão infantil e fugaz quanto as horas do dia.


A Mulher e o Mar

"Aí estava o mar, a mais ininteligível das criaturas não-humanas. E ali estava a mulher, de pé, o mais ininteligível dos seres vivos. Como o ser humano fizera um dia uma pergunta sobre si mesmo, tornara-se o mais ininteligível dos seres onde circulava sangue. Ela e o mar.
Só poderia haver um encontro de seus mistérios se um se entregasse ao outro: a entrega de dois mundos incognoscíveis feita com a confiança com que se entregariam duas compreensões. [...]
Com a concha das mãos e com a altivez dos que nunca darão explicação nem a eles mesmos: com a concha das mãos cheia de água, bebe-a em goles grandes, bons para a saúde de um corpo. 
E era isso o que estava lhe faltando: o mar por dentro como o líquido espesso de um homem. [...]
Não está caminhando sobre as águas _ ah nunca faria isso depois que há milênios já haviam andado sobre as águas _ mas ninguém lhe tira isso: caminhar dentro das águas."


-- Trechos d'O Livro dos Prazeres, de Clarice Lispector.





Gume

Quando atravesso às horas tentando escapar de mim, sou habitante daquele velho lugar... 
Os estúpidos esperam ser importantes, e eu espero ser logo corrompida, já que herdei tanta incompetência.
Os segundos passam com dificuldade; não sei escandalizar.
Sei que um dia acabarei com a vida antes do fim.
Aquele deus deixa crianças como nós morrerem de fome, e eu não creio neste tipo de amor.
Tudo o que eu sinto é tanto desprezo...
Ainda desejam que eu mostre os dentes como se fosse um cavalo, pronto para ser comprado. Mas me sinto um porco, pronto para ser abatido!
Meu sentimento é humano como um revólver, e é um instinto homicida, suicida.
"Tic" nervoso com a caneta, o assombro de si para si, o medo do espelho... Penso com amor apenas nas pessoas sôfregas, nas que matam ou morrem, que choram desesperadamente ou que são apedrejadas. Quero ser uma delas, pois estas que morrem de verdade e sabem o que é viver.
Do outro lado está minha repugnância por essas pessoas tão felizes, que apenas ostentam fantasias. Elas não sentem dor e isso é estranho. Quero cortar-lhes as gargantas.
Tenho fascínio pela alucinação, porque dela saem verdades, o mel e o fel de uma pessoa. Revela que somos corpos sem alma  e que somos cruéis.
Desejo ser um louco, um corpo de lama e nada mais. Quero ser ruim como sei que tenho potencial.
Meu sentimento é humano como um revólver.



"Mas o não-ser não pode aceitar o mal, quer dizer, os do governo, os juízes e os colégios não podem permitir o mal porque não podem permitir a individualidade. E não é a nossa História Moderna, meus irmãos, a história de bravas individualidades malenques lutando contra essas máquinas enormes? Quanto a isso, meus irmãos, eu estou falando com toda a seriedade. Mas o que faço, faço porque gosto."


"Quero que vocês todos se danem, seus putos, se vocês estão do lado do bem, então eu fico muito contente de estar do outro lado."


-- Trechos do livro A Laranja Mecânica, de Anthony Burgess.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Problema?

Não. Amar é a solução. Basta olhar em volta...

domingo, 6 de maio de 2012

Inutilidades

A minha mão nada segura,
Porque nada é seguro.
Na palma da minha mão
Existe um estranho furo.
Não posso curar o caos,
O mal do século do mal
No qual já aprendemos a sobreviver...
E afinal, ao que mais iremos nos submeter
Quando a nossa ironia não for o suficiente
Para anestesiar toda a confusão
Que existe fora e dentro da gente?
A minha mão tem um furo
Que parece me tornar diferente,
Mas não verá nenhum futuro
Quem ler a sorte em minha mão,
É apenas um buraco corroído por indignação
De mãos vazias que não tapam buracos.
Não quero ser mais um desses fracos
Que acham no sonho a fuga perfeita,
Mas espero que a verdade seja dita e feita:
Não irei fugir de mim que sou meu melhor lugar!
A minha mão tem um furo,
Mas quem vai se importar?
Isso não me torna mesmo diferente,
Porque não sei curar esse mundo doente.
E de que adianta saber correr e ficar parado?
E quando você quiser saber, não valerá mais a pena,
Porque quando notar, o filme já terá terminado
Na desastrosa explosão do glorioso cinema.







sábado, 5 de maio de 2012

Tão Longe

E neste deserto
                         Você é uma maldita miragem,
Que eu persigo
Sem a menor esperança de alcançar...

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Satisfação

"Instantes despidos daquilo que faltava. Algo que necessitávamos e não íamos procurar. Ficávamos na expectativa de que acontecesse. Havia uma falta. Não somente dentro do tempo. Porém um vazio real, concreto. Lancinante."




"Viver dentro de uma realidade é um fato. Aceitar, achar que tal realidade é boa, é outra história. Nunca pensou que a vida pode ser diferente?"


-- Trechos do livro Não Verás País Nenhum, de Ignácio de Loyola Brandão.
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Acontecimentos

"Como os acontecimentos insignificantes tomam vulto, perturbam a gente! Vamos andando sem nada ver. O mundo é empastado e nevoento. Súbito uma coisa entre mil nos desperta a atenção e nos acompanha."


-- Angústia, de Graciliano Ramos.

domingo, 29 de abril de 2012

Sensorial



Olhos escuros... sombrios... aquele brilho apagado,
Aquela juventude cansada, mas cheia de instinto e impulso...
O que é que me atrai? O complemento do que eu sou?
Aquele gesto rude que sempre conta uma história...
Aquela coragem de ser real...
Aquele brilho apagado nos olhos, 
Que existe no olhar de todas as minhas paixões...
Por que continuo querendo o que não posso ter?
Por que eu continuo querendo demais, 
Mesmo sabendo que é demais?
O que sinto no primeiro momento dura, e é real,
Não é algo que se sente com o passar do tempo. 
Quando amo, é sempre desde o começo,
Como algo que estala, uma luz que acende 
E fica acesa para sempre,
Mesmo que ninguém entre nequela sala nunca.
O primeiro olho no olho é a única coisa necessária para que eu tenha certeza que uma luz se acendeu.